Referência no Rio, Clínica da Dor da UERJ pode inspirar política nacional de saúde

Referência no Rio, Clínica da Dor da UERJ pode inspirar política nacional de saúde

No quinto andar do Hospital Universitário Pedro Ernesto, na zona norte do Rio de Janeiro, funciona há anos um modelo que o restante do país ainda não tem. A Clínica da Dor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), coordenada pelo professor Dr. Nivaldo Ribeiro Villela, atende pacientes com dor crônica por meio de uma abordagem biopsicossocial e atuação multiprofissional. Uma raridade no sistema público de saúde brasileiro. É justamente essa experiência que o deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ) quer transformar em política nacional. O parlamentar apresentou o Projeto de Lei 5978/2025, que propõe a criação de Clínicas da Dor em todos os hospitais universitários federais. A iniciativa é uma resposta direta a uma realidade ainda pouco enfrentada pelo poder público: a negligência no cuidado com pacientes que convivem cotidianamente com dor crônica, dentre os quais estão os milhões de brasileiros diagnosticados com fibromialgia, que em sua maioria são mulheres.

As lombalgias e outras condições de dor crônica figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil. A dorsalgia liderou o ranking do INSS pelo terceiro ano consecutivo, em 2025. A fibromialgia, embora subnotificada, também responde por dezenas de milhares de benefícios por incapacidade concedidos anualmente. Sem unidades especializadas, esses pacientes percorrem serviços sem resolução, acumulam consultas e têm seu sofrimento minimizado por falta de preparo técnico das equipes que os atendem. “Nosso objetivo é prontificar um local que forneça um atendimento multidisciplinar a essas pessoas, que muitas vezes enfrentam viagens e mais viagens com dores para serem atendidas em locais diferentes, por profissionais que não conversam entre si. A clínica da dor acaba com esse problema, porque essa dor é invisível, mas real”, afirmou o deputado Hugo Leal.

A Clínica da Dor da UERJ já funciona como o modelo que o PL 5978/2025 pretende replicar. A unidade reúne no Hospital Universitário Pedro Ernesto, médicos especializados em dor, reumatologistas, neurologistas, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos, nutricionistas e assistentes sociais. Todos com foco na redução da incapacidade e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. 

A dor crônica compromete a vida de milhões de brasileiros e é uma das principais causas de afastamento do trabalho. A recuperação dessas pessoas significa a manutenção de sua dignidade. Um dos maiores problemas que se abatem sobre quem sofre com dor crônica é a depressão, pois a pessoa fica impossibilitada de viver a vida por causa das dores”, destacou o parlamentar.

Pelo texto do PL 5978/2025, o Governo Federal ficará responsável por fomentar a criação e a manutenção dessas unidades por meio de convênios, repasses financeiros, apoio técnico e programas de capacitação. O atendimento seguirá protocolos clínicos baseados em evidências científicas e incluirá diagnóstico completo, reabilitação funcional e apoio psicossocial, com monitoramento longitudinal dos pacientes.

O PL 5978/2025 está em tramitação na Câmara dos Deputados e foi despachado às Comissões de Educação, Saúde, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e de Cidadania.

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